Entrevista

“VOLTAR AO ESCRITÓRIO NÃO VAI ALIVIAR A SENSAÇÃO DE ISOLAMENTO”

Para o professor Mark Mortensen, da escola de negócios insead, a falta de relações de confiança no trabalho já afetava o bem-estar e a capacidade de inovar das grandes empresas — antes mesmo da pandemia

O coração de metodologias ágeis, celebrizadas no Vale do Silício e adotadas por companhias de todos os portes e setores mundo afora, está em equipes efêmeras formadas por funcionários de diversas áreas, com autonomia e organizadas por projetos com começo, meio e fim. Meses ou mesmo semanas mais tarde eles partem para outra tarefa, ao lado de outros colegas, para resolver outros problemas. Para as empresas, o resultado é a possibilidade de chegar rapidamente a soluções para as mais variadas questões, do lançamento de novos produtos à melhoria de processos, sem cair na lenta liturgia das estruturas de trabalho tradicionais, em que qualquer mudança passa pela avaliação de departamento a departamento, de forma hierárquica e ineficiente. Para os indivíduos, porém, a consequência é a sensação de isolamento. “A maneira como as pessoas são movidas de projeto em projeto traz a sensação de isolamento”, diz Mark Mortensen, especialista em comportamento organizacional da renomada escola de negócios francesa Insead, que realizou recentemente uma pesquisa a esse respeito. “Voltar ao escritório não vai aliviar esse sentimento.” Mais do que uma questão apenas individual, essa realidade abate a principal faísca para a inovação dentro das empresas — a capacidade de interagir e trocar ideias de maneira espontânea e num ambiente que os especialistas chamam de “segurança psicológica”, possível apenas quando conhecemos e confiamos em quem está à nossa volta.E mais. Em um passado não muito distante, os financistas tradicionais, da velha economia, encaravam as startups como concorrentes; hoje, as têm como parceiras. Impossível seguir como antes. “Até o aparecimento das fintechs, os bancos não haviam percebido o quanto a tecnologia poderia agregar a seus negócios”, diz Zack Miller, cofundador da OurCrowd e editor-chefe do israelense TearSheet, portal de mídia, premiações e eventos voltado exclusivamente a fintechs. “Mais do que atolados em sua tecnologia legada, as grandes instituições financeiras, algumas delas centenárias, estavam atoladas em sua mentalidade atrasada.”

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