“O PREÇO DE NÃO FAZER NADA É MAIOR DO QUE O CUSTO DE AGIR”

Em entrevista exclusiva a Época Negócios, o ex-presidente mundial da Unilever Paul Polman diz por que quer articular centenas de executivos ao redor do mundo na busca por uma economia sustentável

holandês Paul Polman é reconhecido por ter levado às últimas consequências a determinação de criar uma cultura de propósito em uma grande companhia global — sem abrir mão de resultado financeiro. Ele escapou do que chama de “rat race”, a corrida de ratos para entregar promessas de resultados feitas a cada trimestre. Em janeiro de 2009, uma de suas primeiras decisões no comando global da Unilever, dona de marcas como a maionese Hellman’s e o sabonete Dove, foi abandonar a divulgação das expectativas de resultados da companhia a cada três meses. Na época, a notícia soou como uma provocação. A maioria de seus pares e antecessores tinha orgulho de manter a rotina de previsões certeiras. O lendário executivo Jack Welch costumava se vangloriar de ter errado o alvo apenas duas vezes ao longo de mais de dez anos à frente da americana General Electric, e não por mais do que um centavo.

No lugar das promessas de curto prazo, Polman concentrou esforços na elaboração de uma ambiciosa meta: dobrar o faturamento e, ao mesmo tempo, cortar à metade as emissões de carbono até 2020. Vindo das rivais Nestlé e Procter & Gamble, ele assumiu uma empresa em crise, com um histórico de dez anos de declínio nas vendas. Suas medidas incomuns não conquistaram os investidores imediatamente. Com o passar dos anos e a entrega dos resultados, porém, o mercado fez as pazes com Polman. Ao longo da década em que permaneceu no comando da Unilever, até o início de 2019, as ações da companhia valorizaram 290%. Com esse apoio, foi capaz de conter uma oferta hostil, recheada com um tentador prêmio de 18% sobre o valor das ações, realizada em 2017 pela Kraft Heinz, do grupo de empresários capitaneado por Jorge Paulo Lemann, associada a uma cultura empresarial bem diferente da construída por Polman.
Hoje, aos 64 anos, ele comanda a consultoria Imagine, criada por ele e um grupo de ex-executivos da Unilever em 2019. Os clientes não são empresas individuais, mas grupos de rivais do mesmo setor. De seu escritório em Londres, Polman falou por videoconferência com Época NEGÓCIOS.

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