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Editorial

OS NEGÓCIOS DA NOSSA ÉPOCA

Algumas memórias da pandemia vão ficar para sempre. Entre as inesquecíveis da minha coleção estão as imagens de encerramento do Jornal Nacional mostrando ações de solidariedade das empresas, naqueles meses ainda sem vacina e sem defesa. Doações em massa, mutirões, fábricas adaptadas para produção de máscaras e EPIs. Um bom exemplo todos os dias, com cenas mais eficientes como ferramenta de marketing que a publicidade de produtos. Para além do ineditismo da covid-19, até então estávamos pouco acostumados a ver os protagonistas do mundo corporativo colocando seus recursos a serviço da sociedade.
Ações de filantropia e solidariedade não nasceram na pandemia, é verdade. Mas parecia ter ficado claro, pela primeira vez, e em rede nacional, que o capitalismo de shareholders, como quis Milton Friedman, precisava se adequar ao mundo contemporâneo. Como pensar exclusivamente na remuneração dos acionistas diante do sofrimento – e morte – de milhões acontecendo bem diante de nossos olhos? As empresas mais inteligentes perceberam logo que o capitalismo de stakeholders, de Edward Freeman, Larry Fink, Yunus etc., esse sim, seria um melhor negócio, para consumidores e colaboradores. Embora a revista The Economist alerte que o ESG não vai nos salvar (e não vai mesmo), a impregnação dessas três letras no vocabulário corporativo traz avanços metrificados. O peso do S aumenta na injusta balança de riquezas. Em 2022, os dados são aterradores. Em dezembro de 2021, eram 158 mil pessoas vivendo nas ruas do Brasil. Em maio último, o número saltou para 185 mil. Em números absolutos, 125,2 milhões de pessoas no país estão passando por algum nível de insegurança alimentar. Classificação esta que inclui pessoas passando fome e aquelas preocupadas por não saber se terão o que comer no dia seguinte. São 14 milhões de brasileiros a mais em insegurança alimentar grave neste ano.
A experiência de olhar o rosto de uma criança faminta ou desabrigada, ou a de quase tropeçar em corpos retorcidos de frio embrulhados como lixo nas calçadas neste inverno lança uma reflexão obrigatória sobre a dinâmica do sistema econômico e social. Agora, um potente grupo de executivos, empresas e empreendedores tem ido além da reflexão. Para eles, o tecido social pode e merece ser reconstituído também com as linhas da iniciativa privada.
Rico em talentos e recursos, esse grupo tem revitalizado o ecossistema de inovação em favor de iniciativas e metodologias que estão mudando a vida de milhões no Brasil e no mundo. Nesta edição, fomos investigar suas motivações e métodos. Para isso, trouxemos entrevistas exclusivas com gente da estatura de Saskia Bruysten, CEO e cofundadora do Yunus Social Business; Maggie de Pree, fundadora da Liga Global dos Intraempreendedores (da qual tenho a honra de fazer parte), e John Elkington, pai da teoria do triple bottom line. Em nossa extensa apuração, descobrimos como a favela tem construído pontes de diálogo com a Faria Lima, em conversas com Eduardo Lyra e Celso Athayde, expoentes desse movimento, ao lado de executivos e CEOs engajados na melhoria dos indicadores sociais, a exemplo de Jean Jereissati, da Ambev, e Gustavo Werneck, da Gerdau.
Revelamos também um vibrante mundo paralelo, que molda novos negócios e modelos mentais, desafiando crenças e dogmas do antigo capitalismo. Alguns deles foram contemplados pelo Prêmio Eco, do qual sentimos orgulho de ser parceiros editoriais para incentivar estratégias em apoio à sustentabilidade das empresas do país.
Depois de ler nossas reportagens, você vai entender que, se sua empresa continua igual ao mundo pré-pandemia, só pode ter algo muito errado. Arrisque-se a fazer parte do novo capitalismo e, de fato, do século 21. Vasculhamos e encontramos companhias que, discretamente, estão redesenhando o mundo tal como o conhecemos neste inverno de 2022. Tem metaverso? Tem. Tem carro voador? Tem também. Tem hambúrguer que não é hambúrguer? Claro que sim. Mas tem muito mais. Nosso conceito foi o de rastrear aquelas empresas que já provaram seu conceito, e seguem redefinindo mercados.
Tome por exemplo a Tandem, que reúne a galera presencial e virtual em um só lugar. É ou não é uma maravilha? Ou a Proto Inc, que nos permite ver e ouvir pessoas por meio de hologramas, e ganhou a 24ª edição do SXSW Innovation Awards, realizada neste ano, na categoria “Inovação na Conexão de Pessoas”. Não vejo a hora de experimentar. Dá orgulho também de ver brasileiras brilhando ao lado das gringas, como a Gran Cursos, a Loud e a Qranio. Vi nascer grande parte delas, com o encantamento de quem segura um bebê. E juro que caiu mais de uma lágrima dos meus olhos quando André Stein, co-CEO da startup mascote da Embraer, a Eve, disse que em breve iremos nos deslocar pelos céus ao preço de uma corrida de táxi. Sério esse bilhete? Fé no futuro: só a inovação – e a arte – salvam.

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