ADIVINHE O PRESENTE

O estado mutante em que mergulhamos há quase um ano não é bem uma novidade. Antes de a covid-19 varrer o globo, o acrônimo VUCA — sigla em inglês para volátil, incerto, complexo e ambíguo — já tinha caído na boca dos executivos mais descolados. Olhando para trás, percebo como éramos inocentes — sem o saber, claro. Agora, na era coronavírus, aqueles que adoram um nome em inglês já acharam outro conjunto de letras para dar conta do novo estado de coisas: BANI — frágil, ansioso, não linear e incompreensível (idem ibidem do inglês, como não poderia deixar de ser). Me identifico totalmente com o tal mundo BANI. Na minha vida, não houve um só aspecto que tenha parado em pé desde aquele fatídico primeiro caso detectado em São Paulo, em março do maligno ano de 2020. Se prever o futuro já era tarefa das mais ingratas, depois de milhões de mortos pelo vírus invisível e jamais previsto fazer qualquer tipo de previsão do futuro me parece, no mínimo, uma baita ousadia. Sei muito pouca coisa a respeito dos meus próximos meses, aqui, do alto do meu home office: não voltarei para o escritório (será?), e muitos dos meus bares, lojas e restaurantes favoritos não irão sobreviver  à crise (será?). Certeza: prazo indeterminado para engavetar minhas máscaras e deixar de consumir álcool em gel (aliás, deixo aqui o meu recado: odeio a sensação grudenta de algumas marcas). Certeza: 2021 não será fácil. Para dar uma mãozinha para vocês (e para nós mesmos!), decidimos arriscar uma edição dedicada ao futuro. Peralá, não um futuro distante. O futuro do presente. Nosso exercício foi o de olhar um esboço desenhado a lápis e detectar os contornos agora definidos da nossa próxima realidade. Não se trata, portanto, de adivinhação. Até porque sabemos que muitas das tendências que se confirmam já vinham se revelando na última década. Nas trinta e duas páginas de nossa reportagem de capa, sinalizamos onde estamos pisando agora, no mundo do trabalho e no contexto internacional. As expressões que você leu na nossa capa gráfica — todas efeitos colaterais da covid-19 —, não traduzem o amanhã, e sim o que está se passando right now. A boa notícia é que o gênio criativo das almas mais iluminadas do planeta nunca esteve tão aguçado. Vocês certamente viram aquela ótima ideia de transformar máscara em respirador. ADOREI aquilo. A vacina ficou pronta bem antes do tempo regulamentar, e 2021 deve ser o ano dos carros autônomos, da disparada em investimentos ESG, de medidas enérgicas para combater a crise climática e o ano das criptomoedas (para desespero de alguns), como vimos no emocionante episódio da GameStop (comprem pipoca!). Da série de más notícias, descobrimos que a saúde mental continua em risco. A contar pelo que nos disseram dez CEOs dos seus home offices, no ensaio Liderar à Distância, a pressão social deve continuar. Mas adorei saber que teve CEO que aprendeu a meditar com funcionário. Gente, não percam a esperança: ainda que lentamente, já começamos a superar a pandemia. Seremos vacinados. Ainda que seja em 2022. E essa é a melhor previsão ever que poderíamos fazer para o primeiro ano do resto de nossas vidas. Boa leitura. 

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